Concreto Reciclado

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O enorme volume de resíduos gerados pela construção civil diariamente é bem conhecido. As empresas responsáveis pelas obras buscam alternativas para amenizar o problema e investem na industrialização, por exemplo, mas somente isso não é suficiente para resolver a questão. Uma das saídas, já bem difundida no exterior, é promover a reciclagem do concreto.

Segundo Arnaldo Battagin, engenheiro responsável pelos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), é necessário esclarecer que não é o concreto e sim o agregado que entra na composição da nova concretagem que é reciclado. Esse agregado é adquirido por meio dos resíduos de construção e demolição (RCD), tais como fragmentos de concretos, argamassas, cerâmicas, tijolos, blocos e outros, obtidos por meio da britagem, operações de separação ou beneficiamento.

Esse procedimento surgiu pioneiramente na Alemanha por conta da reconstrução das cidades destruídas na segunda guerra mundial. “A influência dos agregados de RCD no concreto tem sido investigada desde a década de 80 em vários países europeus, que viabilizaram economicamente essa alternativa ao proibirem a prática de uso de aterros para destinação de resíduos passíveis de reciclagem”, afirma.

Battagin conta que muitas empresas de demolição começaram a investir na desmontagem das edificações, procurando retirar contaminantes perigosos como telhas de cimento amianto, madeira tratada com pesticidas, entre outros, concentrando o resíduo proveniente de estruturas de concreto e procurando obter um agregado reciclado de qualidade.

O engenheiro explica que tanto no Brasil quanto na Europa, grande parte dos resíduos reciclados é empregada como material para nivelamento de terrenos ou bases de pavimentos. “O agregado não é propriamente utilizado no concreto, em que requer critérios de controle de qualidade mais restritivos, muito embora constitua um grande mercado potencial para a reciclagem”, avalia.

A prática mais comum tem sido empregar os resíduos no estado bruto, sem qualquer processamento. Seu uso fica restrito ao preenchimento das áreas de mineração próximas da cidade, que foram exauridas pela própria construção. “Geotecnicamente aceitável, por ser um material de composição química semelhante ao solo, a recuperação agrega somente valor imobiliário para essas áreas. Essa opção nunca deveria ser a única disponível, já que o uso em pavimentação e no concreto constitui a verdadeira alternativa ambientalmente amigável para efetivamente poupar as reservas de agregados naturais”, considera.

De acordo com Battagin, a resistência e a durabilidade do concreto reciclado são controladas não apenas pela porosidade da pasta de cimento, como é o caso do concreto convencional, mas também pela porosidade do agregado que facilmente ultrapassa os 10%. “Assim, a diferença essencial entre um concreto convencional e outro com agregado reciclado é a porosidade, razão pela qual a ABNT restringe, por meio de normas específicas, o seu uso apenas para pavimentação ou concreto não estrutural, não prevendo a utilização em estruturas”, diz.

Fonte: Revista Construção e Negócio


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