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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Engenharia & Gramática - Substantivo III


A última postagem apresentou a flexão de gênero dos substantivos, e na presente publicação, será exposto a flexão de número e grau. 

1. Flexão de Número

O substantivo sendo a classe gramatical que nomeia objetos, coisas, substâncias, poderá considerar apenas a unidade (singular) ou o conjunto de dois ou mais objetos (plural). Mas temos substantivos no singular que podem se referir a vários objetos de uma mesma classe considerandos num todo, que é o coletivo (professorando, alunado, caravana, cardume, etc.)
Bechara discrimina os substantivos em contáveis e não contáveis, que em suma: contáveis é a classe constituída por objetos que existem isolados como partes individualmente consideradas (mulher, casa livro), os não contáveis, se refere a classe de objetos contínuos, não separados em partes diversas, que podem ser massa ou matéria ou, ainda, uma ideia abstrata (oceano, vinho, bondade, beleza). Onde facilmente se pluralizam os substantivos contáveis, e os não contáveis, em geral, se usam no singular. Sendo que em alguns casos, alguns desses não contáveis, o plural alude a diferentes espécies ou à fragmentação: vinhos (o tinto, o branco, o rosé), mares e por consequência, se apresentam com variação semântica.
O plural é obtido com a presença da desinência pluralizadora –s, sendo que o singular se caracteriza pela ausência desta desinência.

1.1 Plural Substantivos Simples

Abaixo é apresentado tabela com a flexão de número dos substantivos simples.

1.1.1 Plural nomes gregos terminados em –n
Nos nomes de origem grega terminados em –n, pode-se obter o plural com o acréscimo da desinência –s, ou recorrer à forma teórica com a recuperação do –e (abdômen → abdômenes). Porém, é melhor dar forma a estes substantivos de acordo com o sistema fonológico do português, eliminando o –n final ou substituindo-o por –m e procedendo-se à formação do plural com o só acréscimo do –s:
abdômen, abdomens
certâmen, certamens (ou certâmenes)
dólmen (dolmem), dolmens (ou dólmenes)
hífen, hifens (ou hífenes)
pólen (polem), polens (ou pólenes)
Obs.: 1º éden, edens
2º cânon, cânones
3º Recorde-se que são acentuados os paroxítonos terminados em –n e não em –ens.

1.1.2 Palavras que não possuem marca de número
Algumas palavras terminadas em –s em sílaba átona (como lápis, pires) que não possuem marca de número, seja no singular ou plural, sendo que a pluralidade é marcada pelos adjuntos (artigo, adjetivo, pronome, numeral):
o lápis, os lápis
o pires, os pires
a cútis, as cútis¹
Obs.: 1º Simples símplices, ou, o que é mais comum, não varia.
2º Cós, lais e ferrabrás são utilizados invariáveis, mas possuem o plural coses, laises e ferrabrases.
Quando terminados em –x (com valor de cs):
o tórax, os tórax
o ônix, os ônix
o fax, os fax
a xerox, as xerox
Obs.: Alguns nomes com x = cs possuem a variante em ce: índex ou índice, ápex ou ápice; códex ou códice. Seus plurais são, respectivamente, índices, ápices, códices.

1.1.3 Palavras usadas apenas no plural
Eis as principais:
adamanes, exéquias, afazeres, férias (repouso), anais, núpcias, arredores, trevas, avós (antepassados), víveres, confins, belas-artes, costas, endoenças, belas-letras, naipes carta (copas, ouros, espadas, paus).

1.1.4 Palavras usadas apenas no singular
Que são os pontos cardeais, entre outros:
o sul, o norte, o leste, o oeste, a fé

1.1.5 Palavras estrangeiras
Substantivos ainda não adaptados ao sistema fonológico do português devem ser escritos como na língua original, acrescentando-se –s (exceto quando terminam em –s ou –z):
os shows
os shorts
os jazz
Substantivos adaptados ao sistema fonológico do português flexionam-se de acordo com as regras gramaticais:
clube, clubes 
dólar, dólares
repórter-repórteres

1.2 Plural Substantivos Compostos

A formação do plural dos substantivos compostos merecem especial atenção, uma vez que as dúvidas e equívocos são frequentes. A questão envolve dificuldade de ordem ortográfica (uso ou não do hífen) e de ordem gramatical.

1.2.1 Somente o último elemento varia
1.2.1.1 Nos compostos grafados ligadamente (justaposição – sem alteração fonética, por exemplo, passatempo = passa + tempo –,  ou aglutinação – com supressão fonética, por exemplo, embora = em + boa + hora):
fidalgo², fidalgos
girassol, girassóis
madressilva, madressilvas
mandachuva, mandachuvas
pontapé, pontapés

1.2.1.2 Nos compostos com a forma adjetivas grão, grã e bel:
grão-prior, grão-priores
grã-cruz, grã-cruzes
bel-prazer, bel-prazeres

1.2.1.3 Nos compostos de tema verbal ou palavra invariável seguida de substantivo ou adjetivo:
furta-cor, furta-cores
beijo-flor, beija-flores
abaixo-assinado, abaixo-assinados
alto-falante, alto-falantes

1.2.1.4 Nos compostos de três ou mais elementos, não sendo o 2º elemento uma preposição:
bem-te-vi, bem-te-vis
bem-me-quer, bem-me-queres

1.2.1.5 Nos compostos de emprego onomatopeico3 em que há repetição total ou parcial da primeira unidade:
lenga-lenga, lenga-lengas
reco-reco, reco-recos
tique-taque, tique-taques
zum-zum, zum-zuns

1.2.2 Somente o primeiro elemento varia
1.2.2.1 Nos compostos em que haja preposição, clara ou oculta:
cavalo-vapor (= de, a vapor), cavalos-vapor
cana-de-açúcar, canas-de-açúcar
jararaca-de-cauda-branca, jararacas-de-cauda-branca

1.2.2.2 Nos compostos de dois substantivos, em que o segundo exprime a ideia de fim, semelhança, ou limita a significação do primeiro:
aço-liga,aços-liga
bomba-relógio, bombas-relógio
caneta-tinteiro, canetas-tinteiro
carta-bomba, cartas-bomba
cidade-satélite, cidades-satélite
Obs.: Os compostos incluídos neste último caso também admitem a flexão dos dois elementos: aços-ligas, bombas-relógios, etc.

1.2.3 Ambos elementos variam
1.2.3.1 Nos compostos de substantivo + substantivo, substantivo + adjetivo ou adjetivo + substantivo:
amor-perfeito, amores-perfeitos
cabra-cega, cabras-cegas
gentil-homem, gentis-homens
guarda-civil, guardas-civis
Obs.: lugar-tenente faz o plural lugar-tenentes

1.2.3.2 Nos compostos de temas verbais repetidos:
corre-corre, corres-corres
pula-pula, pulas-pulas
ruge-ruge, ruges-ruges
Obs.: Os compostos incluídos neste caso também admitem o plural flexionando-se apenas o segundo elemento: corre-corres, pula-pulas, etc.

1.2.4 Não variam
1.2.4.1 Nas frases substantivas:
a estou-fraca (ave), as estou-fraca
a não sei que diga, os não sei que diga
o disse me disse, os disse me disse
o bumba meu boi, os bumba meu boi

1.2.4.2 Nos composto de tema verba e palavra invariável:
o ganho-pouco, os ganha-pouco
o pisa-mansinho, os pisa-mansinho
o cola-tudo, os cola-tudo

1.2.4.3 Nos compostos de dois temas verbais de significado oposto:
o leva e traz, os leva e traz
o vai-volta, os vai-volta

1.2.5 Admitem mais de um plural, entre outros:
guarda-marinha, guardas-marinha ou guardas-marinhas (segundo Bechara se rejeita sem razão guardas-marinhas)
padre-nosso, padres-nossos ou padre-nossos
salvo-conduto, salvos-condutos ou salvo-condutos

2. Flexão de Grau

Os substantivos podem se flexionar de forma que sua significação seja aumentada ou diminuída, auxiliados por sufixos derivacionais:
homem - homenzarrão (aumentativo) - homenzinho (diminutivo)
Bechara afirma que os substantivos sofrem processo de derivação, e não flexão de grau, porém, o subtítulo se manteve utilizando o termo flexão, pois, é normalmente utilizado em cursos, mas fica à recomendação para quem desejar um dia se aprofundar nessa língua tão rica, quanto é a língua portuguesa, ler a obra de Bechara intitulada como Moderna Gramática Portuguesa, contendo detalhes e conhecimentos riquíssimos, alguns destes trazidos à luz pelo blog, aliás, a presente publicação é um resumo da obra com adaptações, pedindo perdão pelas cópias indiscriminadas de longos trechos da obra.
Ocorre de duas formas a derivação gradativa:
Sintético, que consiste no acréscimo de um final especial chamado sufixo derivacional aumentativo ou diminutivo:
homem, homenzarrão (aumentativo) e homenzinho (diminutivo)
casa, casarão, casinha
Nogueira da uma dica para memorização mnemônicas: Sintético = Sufixo

Analítico, que consiste no emprego de uma palavra de aumento ou diminuição (grande, enorme, pequeno, etc.) junto ao substantivo:
homem grande, homem pequeno
casa grande, casa pequena

2.1 Aumentativo e diminutivos afetivos
A derivação gradativa de um substantivo, equivocadamente, denominada flexão de grau, além de expressar ideia de tamanho, podem carregar consigo desprezo, crítica, indiferença, ofensa, sempre em função do significado da palavra base, auxiliado por uma entoação especial e os entornos que envolvem falante e ouvinte:
poetastro [–astro : “sufixo depreciativo”), poetastro é um termo pejorativo para designar um poeta de qualidade inferior, um versejador sem grande valor literário].
politicalho
livreco
padreco


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1. Cútis: película que recobre a pele das pessoas; epiderme.
2. O caso de fidalgo causa algumas dificuldades de classificação. Se tivermos em conta a sua estrutura-base original, digamos assim, o que temos é uma expressão composta por duas palavras, ou, melhor, dois nomes, relacionadas entre si por uma preposição, filho de algo, não sendo comum a representação destas estruturas lexicalizadas com a forma aglutinada. Por outro lado, a classificação da forma fi- como radical de filho [latim filiu(m)] poderá ser problemática. Mas se classifica como substantivo composto. [1]
3. Palavra relativa à onomatopeia que significa imitar com a boca ou com qualquer meio ,seja fisico com o corpo ,mecânico, com instrumentos ou outros os sons da natureza por exemplo assoviar como pássaro,bem como na escrita

Fontes
Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38º edição. Rio de Janeiro, 2015.
Ferreira, Mauro. 360°: aprender e praticar gramática: parte I, volume único. FTD, São Paulo, 2015.
Mini dicionário Aurélio. 8º edição, 2010.
Nogueira, Duda. Língua Portuguesa para concurso. Ed. JusPodivm, 4º edição, 2017.
Imagens utilizadas: Noite Estrelada (Foto: Reprodução/ Van Gogh)
[1]Acessado em 11/07/2017: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-formacao-de-vinagre-aguardente-e-fidalgo-no-dicionario-terminologico/29814

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